O que a destruição do Cerrado tem a ver com a crise hídrica?

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Foto: Google

O Cerrado é um dos principais biomas do país, ocupando cerca de 25% de todo o território nacional e é a segunda maior cobertura vegetal do Brasil, ficando atrás somente da Floresta Amazônica. Presente em 11 estados brasileiros, o Cerrado abastece o país com água e esse abastecimento está ameaçado devido ao desmatamento desenfreado.

Desde o ano passado, o Distrito Federal enfrenta uma severa crise hídrica. As duas barragens que abastecem a região, Santa Maria e Descoberto, mantêm níveis muito abaixo do esperado e desde janeiro deste ano a região passa por racionamento de água sem data para acabar. Esta situação não é nenhuma novidade. Desde 2016 a Agência Nacional de Águas (Ana) incluiu a região em sua lista de áreas vulneráveis em relação ao abastecimento de água.

Mas esta situação não acontece só no Distrito Federal. O Cerrado é a grande vítima invisível do desmatamento no Brasil. Enquanto o mundo está com os olhos voltados para a Amazônia, a diversificada vegetação do Cerrado vem sendo varrida do mapa.

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Medidor na Barragem do Descoberto. O reservatório atingiu o nível mais baixo da história (Foto: Gabriel Jabur)

Enquanto o desmatamento da Amazônia caiu nos últimos 10 anos, a devastação do cerrado continuou no mesmo ritmo. Ao longo de 50 anos, 50% do Cerrado teve sua área total desmatada. Segundo dados da WWF (World Wide Foundation), em Goiás a situação é ainda mais agravante, pois estima-se que cerca de 60% do cerrado goiano foi retirado, dando lugar a pastagens, 6% foram destinados à agricultura, 14% destinados a ocupação urbana e construção de estradas. Pelos cálculos, apenas 20% de cerrado encontram-se conservados.

Proteger o que resta do Cerrado é urgente porque as áreas degradadas no bioma são de difícil recuperação. O que deve ser feito na região é a realização da aplicação de medidas de preservação e conservação, repensando o modelo de desenvolvimento e criando políticas econômicas que conciliam prosperidade, crescimento financeiro e preservação (desenvolvimento sustentável).

Emmanuel Tomaz, com informações do Blog do Planeta

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